A inspeção de pintura industrial utiliza três ensaios fundamentais: EPS (espessura de película seca) conforme SSPC-PA 2 e ASTM D7091, pull-off (aderência) conforme ASTM D4541 com mínimo de 3 MPa, e holiday detector conforme NACE SP0188 para descontinuidades em revestimentos de imersão. No PIM, o inspetor deve ser qualificado ABNT NBR 15218.
Resposta Direta
A inspeção de pintura industrial utiliza três ensaios fundamentais: EPS (espessura de película seca) conforme SSPC-PA 2 e ASTM D7091, pull-off (aderência) conforme ASTM D4541 com mínimo de 3 MPa, e holiday detector conforme NACE SP0188 para descontinuidades em revestimentos de imersão. No PIM, o inspetor deve ser qualificado ABNT NBR 15218.
1. Inspeção de Pintura Industrial: EPS, Pull-Off e Holiday Detector na Prática
A integridade de um sistema de pintura industrial é fundamental para a proteção de ativos contra a corrosão e para a extensão da sua vida útil. A inspeção de pintura, por meio de metodologias padronizadas e equipamentos calibrados, assegura que os revestimentos aplicados atendam às especificações de projeto e às normas técnicas vigentes. Este artigo aborda três pilares essenciais da inspeção de pintura: a medição da Espessura de Película Seca (EPS), os testes de aderência (Pull-Off e Cross-Cut) e a detecção de descontinuidades (Holiday Detector), contextualizando-os com a prática industrial e as normas relevantes.
A conformidade com parâmetros como a EPS, a aderência e a ausência de descontinuidades é crucial para a durabilidade e o desempenho dos revestimentos. Falhas nesses aspectos podem comprometer a barreira anticorrosiva, levando a degradação precoce e custos elevados de manutenção. Portanto, a aplicação rigorosa dessas técnicas de inspeção é um investimento na longevidade e na segurança das estruturas e equipamentos industriais.

2. EPS — Espessura de Película Seca: Medição, SSPC-PA 2 e Critérios
A Espessura de Película Seca (EPS), ou Dry Film Thickness (DFT), é um dos parâmetros mais críticos no controle de qualidade da pintura industrial. Sua importância reside na determinação da eficácia da barreira anticorrosiva, influenciando diretamente a vida útil do sistema de pintura e a conformidade com as especificações contratuais e normativas. Uma EPS inadequada, seja por subespessura ou sobreespessura, pode levar a falhas prematuras do revestimento, como corrosão, trincas ou descascamentos, gerando custos adicionais e retrabalhos.
Para substratos ferrosos, como o aço carbono, a medição da EPS é realizada predominantemente pelo método magnético. Este princípio baseia-se na variação do campo magnético entre a sonda do equipamento e o substrato metálico. As normas de referência para este método incluem a ASTM D7091-23, que é a prática padrão para medição não destrutiva de EPS em revestimentos não magnéticos aplicados a metais ferrosos e não ferrosos, e a SSPC-PA 2:2018, que detalha a medição de espessura de revestimento seco com medidores magnéticos. A ISO 19840:2012 também complementa essas diretrizes, focando na medição e critérios de aceitação em superfícies rugosas.
Em substratos não ferrosos, como alumínio, aço inoxidável e galvanizados, o método indutivo (correntes parasitas) é empregado. Este método utiliza correntes de Foucault geradas por uma sonda indutiva para determinar a espessura do revestimento. Medidores modernos frequentemente combinam ambos os princípios, alternando automaticamente entre os modos magnético e indutivo para diferentes tipos de substrato. Instrumentos como o Elcometer 456 e o DeFelsko PosiTector 6000 são amplamente utilizados na indústria, oferecendo recursos como armazenamento de leituras e análise estatística.
A calibração e o ajuste em campo são etapas fundamentais para garantir a precisão das medições de EPS. As normas ASTM D7091-23 e SSPC-PA 2:2018 distinguem a calibração de fábrica, realizada em laboratório acreditado e rastreável, da verificação de exatidão em campo, que utiliza padrões de espessura (calços ou placas calibradas). O ajuste do instrumento ao substrato real, considerando sua rugosidade e tipo de material, é crucial. A ISO 19840:2012, por exemplo, enfatiza a compensação do perfil de rugosidade em substratos jateados. Um procedimento típico em campo envolve verificar as certificações do instrumento e dos padrões, zerar ou ajustar o medidor em uma área não pintada do substrato (idealmente do mesmo material e condição da área a ser pintada), e seguir as instruções do fabricante e da norma ASTM D7091-23 para o ajuste. A rastreabilidade da calibração, por meio de certificados RBC/ILAC, é um requisito essencial.

3. Pull-Off e Cross-Cut: Testes de Aderência que Validam o Revestimento
Os testes de aderência são vitais para avaliar a capacidade de um revestimento de permanecer firmemente ligado ao substrato ou às camadas subsequentes. Entre eles, o ensaio de Pull-Off destaca-se por sua natureza destrutiva e quantitativa, medindo a força necessária para destacar uma área definida do revestimento. Este teste é amplamente utilizado em tintas industriais, revestimentos anticorrosivos e em outros substratos rígidos, fornecendo um valor numérico em MPa ou psi, além de permitir a análise do modo de falha. As normas principais que regem o Pull-Off são a ASTM D4541 e a ISO 4624:2016, que padronizam o procedimento de teste.
O procedimento típico do ensaio de Pull-Off envolve a preparação da área, que inclui a seleção do ponto de teste, limpeza da superfície e verificação da cura do revestimento. Em seguida, um dolly metálico, geralmente de 20 mm de diâmetro, é colado à superfície com um adesivo de alta resistência. Em muitos casos, um corte circular é feito ao redor do dolly até o substrato para isolar a área de teste. A tração é então aplicada perpendicularmente ao substrato por um equipamento manual, hidráulico ou pneumático até a ruptura do revestimento. O valor máximo de aderência e o tipo de falha observada são registrados para análise.
A interpretação dos resultados do Pull-Off é enriquecida pela análise dos modos de falha. Uma falha adesiva ocorre na interface entre a tinta e o substrato, indicando problemas de preparo de superfície, contaminação ou incompatibilidade. A falha coesiva acontece dentro da própria camada de tinta, sugerindo limitações na formulação ou cura inadequada. A falha entre camadas aponta para problemas de aderência entre demãos diferentes. Por fim, a falha no substrato indica uma aderência excelente, superando a resistência do material-base. Os critérios de aceitação variam conforme a especificação do projeto, tipo de substrato e serviço, mas valores como 3 MPa para estruturas expostas e 5 MPa para tanques em imersão são comumente encontrados em especificações industriais. É importante ressaltar que as normas padronizam o método de teste, enquanto os critérios de aceitação são definidos pelo contrato ou engenharia de revestimento.
Como alternativas ao Pull-Off, existem os testes de Cross-Cut e X-Cut, ambos descritos pela ASTM D3359. O Cross-Cut envolve a realização de cortes paralelos e cruzados no revestimento, seguido pela aplicação de uma fita adesiva. A classificação é feita por notas de 0B a 5B, sendo um método mais rápido e menos oneroso, porém mais subjetivo. O X-Cut, ou ASTM D3359 Método A, é utilizado para revestimentos mais espessos, acima de 125 µm, também empregando fita adesiva após um corte em "X". Enquanto o Pull-Off é quantitativo, destrutivo e mais robusto para auditorias, o Cross-Cut e X-Cut são semiqualitativos ou qualitativos, mais simples, mas menos representativos para sistemas industriais espessos. Em rotinas de inspeção industrial, é comum especificar a realização de 1 teste de aderência para cada 250 m² ou 1 teste por equipamento.
4. Holiday Detector: Baixa e Alta Voltagem para Descontinuidades
A detecção de descontinuidades, ou "holidays", é um passo crucial na inspeção de pintura industrial, especialmente em revestimentos que servem como barreira anticorrosiva. Um holiday é qualquer interrupção em um revestimento não condutivo que expõe ou quase expõe o substrato metálico. Isso pode incluir poros, pinholes, falhas de cobertura, trincas ou bolhas rompidas. A presença de holidays pode levar à formação de pontos anódicos, iniciando processos corrosivos sob o filme e resultando em falha prematura do sistema de pintura. Para identificar essas falhas, são utilizados os holiday detectors, que operam em baixa ou alta voltagem.
O holiday detector de baixa voltagem, também conhecido como "wet sponge" ou esponja úmida, é indicado para revestimentos de baixa espessura, tipicamente até 500 µm (0,5 mm). Ele opera com tensões de até 90 V DC, sendo 67,5 V DC uma prática comum. O equipamento utiliza uma esponja úmida conectada a um polo, enquanto o substrato é aterrado. Ao deslizar a esponja sobre o revestimento, se houver um holiday que permita a passagem de corrente até o substrato, o circuito é fechado, e o aparelho emite um sinal sonoro ou visual. As normas de referência para este método incluem a ASTM D5162 – Método A e a NACE SP0188 para baixa voltagem, além da ISO 29601 e a ABNT NBR 16172:2014, que abordam princípios similares.
Para revestimentos de média a alta espessura, geralmente acima de 500 µm (0,5 mm), utiliza-se o holiday detector de alta voltagem, conhecido como "spark test" ou teste por faísca. Este equipamento opera com tensões que variam de 1 kV a 30 kV, dependendo da espessura do revestimento. Um eletrodo, como uma escova, mola ou anel, é conectado ao aparelho e deslizado sobre a superfície. Se houver um holiday, a alta tensão gera uma descarga elétrica (faísca) entre o eletrodo e o substrato aterrado, acionando um alarme. Este método é ideal para revestimentos internos de tanques, dutos e pisos industriais. As normas que regem o holiday detector de alta voltagem são a ASTM D5162 – Método B, a NACE SP0188 para alta voltagem, a ISO 29601 e a ABNT NBR 16172, além de normas específicas como a Petrobras N-13 Rev. K.
A seleção da voltagem em alta tensão é um aspecto crítico para evitar danos ao revestimento ou falhas na detecção. Para revestimentos acima de 500 µm, a relação empírica entre tensão e espessura é amplamente utilizada na prática industrial. Uma fórmula comum é V (V) ≈ 3.175 × 10³ × √(EPS em mm) ou V (kV) ≈ 3.175 × √(EPS em mm). Por exemplo, para uma EPS de 1,0 mm, a tensão recomendada seria de aproximadamente 3,2 kV. É fundamental consultar as tabelas fornecidas pelos fabricantes dos equipamentos, que devem estar alinhadas com as normas. A aplicação de uma tensão excessiva pode perfurar o filme, gerando falsos defeitos, enquanto uma tensão muito baixa pode não detectar poros profundos. Equipamentos como o Elcometer 270 (baixa tensão) e o Defelsko PosiTest HHD (alta tensão) são exemplos de modelos amplamente utilizados na inspeção de pintura industrial.
5. Inspeção Completa no PIM: Sequência, Qualificação e Custos
A inspeção completa de pintura industrial é um processo multifacetado que abrange diversas etapas, desde a verificação das condições ambientais até a emissão de relatórios detalhados. A sequência operacional recomendada, alinhada com as boas práticas da indústria e normas como a ABNT NBR 15218:2022, visa garantir a qualidade e a durabilidade dos revestimentos aplicados. Esta norma, que trata da qualificação e certificação de inspetores de pintura industrial, é um pilar para a padronização e a competência técnica dos profissionais envolvidos.
A sequência típica de inspeção inicia-se com a verificação das condições ambientais. Isso inclui a medição da temperatura do ar, da temperatura do substrato e da umidade relativa do ar (UR). A partir desses dados, calcula-se o ponto de orvalho e o delta T (diferença entre a temperatura do substrato e o ponto de orvalho). A exigência de que a temperatura do substrato seja no mínimo 3 °C acima do ponto de orvalho é um critério padrão na indústria, fundamental para evitar a condensação de umidade na superfície e garantir a aderência e a cura adequadas do revestimento.
A segunda etapa é a inspeção da preparação de superfície. Este passo é crucial, pois a qualidade do preparo impacta diretamente a aderência e o desempenho do revestimento. Inclui a verificação visual do grau de intemperismo conforme a ISO 8501-1 (graus A, B, C, D) e a inspeção da limpeza química e mecânica, garantindo a remoção de óleo, graxa e outros contaminantes, em conformidade com normas como a ABNT NBR 14847 e a ABNT NBR 15185.
Após a preparação, segue-se a aplicação e inspeção da EPS úmida (demão fresca), se especificado. Esta etapa verifica o método de aplicação (pistola, rolo, trincha) e a espessura do filme úmido com um medidor apropriado. Posteriormente, a inspeção da EPS seca (espessura seca) é realizada, medindo a espessura de película seca (DFT) por camada e total, conforme o esquema de pintura e as normas aplicáveis, como as especificações da Petrobras N-2912, N-2630 e N-2677.
Os ensaios de aderência, como o Pull-Off (ASTM D4541) e o Cross-Cut (ASTM D3359), são realizados quando exigidos pelo projeto ou norma, validando a ligação entre o revestimento e o substrato. O teste de descontinuidades (holiday detector) é aplicado principalmente em revestimentos de alta espessura ou para serviços de imersão e enterrados, garantindo a ausência de poros e falhas que possam comprometer a proteção anticorrosiva. A dispensa formal deste teste pode ocorrer se não houver falhas visíveis e o cliente assim o determinar.
Finalmente, todas as informações são compiladas no Relatório de Inspeção de Pintura Industrial (RIPI ou RIP). Este documento detalha todas as etapas da inspeção, os resultados obtidos e as não conformidades, se houver. Em caso de não conformidades, um Relatório de Não Conformidade (RNC) é emitido, delineando as ações corretivas necessárias. A qualificação dos inspetores, conforme a ABNT NBR 15218, é fundamental para a credibilidade e a precisão de todo o processo de inspeção. Os custos associados à inspeção são um investimento na qualidade e na longevidade do sistema de pintura, evitando gastos muito maiores com manutenção corretiva e retrabalhos no futuro.

6. Riscos e Soluções na Inspeção de Pintura Industrial
A inspeção de pintura industrial, embora essencial, apresenta desafios que podem comprometer a eficácia e a confiabilidade dos resultados. Identificar e mitigar esses riscos é fundamental para assegurar a qualidade dos revestimentos.
Um risco significativo é a falha na calibração e ajuste dos equipamentos de medição. Medidores de EPS, por exemplo, requerem calibração rastreável e ajustes em campo para compensar a rugosidade do substrato e garantir leituras precisas. A falta de atenção a esses procedimentos pode levar a medições incorretas, resultando em subespessura ou sobreespessura não detectadas, o que compromete a proteção anticorrosiva ou a integridade do filme. A solução envolve a implementação de um rigoroso programa de gerenciamento de equipamentos, incluindo a calibração periódica em laboratórios acreditados (com certificados RBC/ILAC) e a realização de verificações de exatidão e ajustes em campo conforme as normas ASTM D7091 e SSPC-PA 2. A capacitação contínua dos inspetores sobre os procedimentos de calibração e ajuste é igualmente importante.
Outro risco é a interpretação subjetiva dos resultados dos testes de aderência qualitativos, como o Cross-Cut. Embora sejam métodos rápidos e econômicos, a classificação por notas (0B a 5B) pode variar entre diferentes inspetores, introduzindo inconsistências na avaliação da aderência. Esta subjetividade pode mascarar problemas de preparo de superfície ou de compatibilidade entre camadas. Para mitigar este risco, a solução é priorizar, sempre que possível e especificado, o ensaio de Pull-Off (ASTM D4541), que fornece um valor quantitativo e objetivo da força de aderência. Quando o Cross-Cut for o método exigido, é crucial que os inspetores sejam treinados e certificados para aplicar a norma de forma consistente, utilizando padrões visuais de referência e realizando discussões de consenso para padronizar a interpretação.
Por fim, a seleção inadequada da voltagem para o holiday detector de alta tensão representa um risco considerável. A aplicação de uma voltagem muito alta pode perfurar o revestimento, criando falsos defeitos e danificando um filme que, de outra forma, estaria íntegro. Por outro lado, uma voltagem muito baixa pode não ser suficiente para detectar descontinuidades profundas, deixando falhas críticas sem identificação. A solução para este risco reside na adesão estrita às diretrizes normativas (NACE SP0188, ASTM D5162) e às recomendações dos fabricantes dos equipamentos. A utilização de fórmulas empíricas (V (kV) ≈ 3.175 × √(EPS em mm)) e tabelas fornecidas pelos fabricantes, aliada à experiência do inspetor, é essencial para determinar a voltagem correta para cada espessura de revestimento.
7. Conclusão
A inspeção de pintura industrial, por meio da medição de EPS, testes de aderência e detecção de descontinuidades, é um componente indispensável para a garantia da qualidade e longevidade dos revestimentos. A aplicação rigorosa das normas técnicas, como ASTM D7091, SSPC-PA 2, ASTM D4541, NACE SP0188 e ABNT NBR 15218, assegura que os sistemas de pintura atendam às especificações de projeto e ofereçam a proteção anticorrosiva esperada. A qualificação dos inspetores e a utilização de equipamentos calibrados são fatores críticos para a confiabilidade dos resultados.
A compreensão aprofundada dos princípios de cada método de inspeção, a correta interpretação dos dados e a gestão proativa dos riscos associados são elementos que contribuem para a eficácia do processo. Ao investir em uma inspeção de pintura abrangente e bem executada, as indústrias protegem seus ativos, otimizam recursos e promovem a segurança operacional, minimizando a necessidade de manutenções corretivas dispendiosas e garantindo a conformidade com os padrões de qualidade exigidos.
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Toda execução deve incluir ART emitida por engenheiro registrado no CREA-AM, com rastreabilidade do procedimento e materiais empregados.
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Perguntas Frequentes
Sobre inspecao pintura industrial eps pull off
P:O que é EPS e como é medida na pintura industrial?
EPS, ou Espessura de Película Seca (DFT – Dry Film Thickness), é um parâmetro crítico na pintura industrial que mede a espessura final da camada de tinta após a secagem. Ela é fundamental porque determina a barreira anticorrosiva, impacta diretamente a vida útil do sistema de pintura, assegura a conformidade com normas (ABNT, ASTM, ISO, SSPC/NACE) e contratos, e influencia os custos. Uma EPS inadequada pode levar a falhas precoces ou problemas como trincas e descascamentos.\n\nA medição da EPS varia conforme o substrato:\n\nPara substratos ferrosos (aço carbono, etc.), utiliza-se o método magnético, que mede a variação do campo magnético entre a sonda e o metal. As normas de referência incluem ASTM D7091-23, ISO 19840:2012 e SSPC-PA 2:2018. Instrumentos como Elcometer 456 e DeFelsko PosiTector 6000 são amplamente utilizados.\n\nPara substratos não ferrosos (alumínio, aço inox, galvanizado), emprega-se o método indutivo (correntes parasitas ou Eddy Current). A norma ASTM D7091-23 também abrange este método, e muitos medidores modernos alternam automaticamente entre os dois princípios.\n\nÉ crucial que os instrumentos possuam calibração rastreável (RBC/ILAC) e que o ajuste em campo seja feito conforme as normas, zerando o aparelho no substrato não pintado para compensar a rugosidade e o tipo de material.
P:Quando o teste pull-off é obrigatório?
O teste pull-off é um ensaio destrutivo de aderência que mede a força necessária para destacar uma área definida do revestimento do substrato, expresso em MPa ou psi. Ele é obrigatório quando especificado em contrato, normas de projeto ou requisitos de engenharia, especialmente em aplicações críticas onde a aderência é vital para a durabilidade e desempenho do sistema de pintura.\n\nAs normas principais que regem este teste são ASTM D4541 e ISO 4624:2016. O procedimento envolve a colagem de um dolly metálico (geralmente de 20 mm de diâmetro) com adesivo de alta resistência, seguido de um corte circular ao redor do dolly até o substrato. Em seguida, uma força de tração perpendicular é aplicada até a ruptura, e o valor máximo de aderência, juntamente com o modo de falha, são registrados.\n\nOs modos de falha são cruciais para a interpretação: falha adesiva (entre tinta e substrato) indica problemas de preparo; falha coesiva (dentro da camada de tinta) sugere limitações da formulação ou cura; falha entre camadas aponta para problemas de aderência intercamadas; e falha no substrato indica excelente aderência. Os critérios de aceitação variam, mas valores comuns são 3 MPa para estruturas de aço exposto e 5 MPa para tanques em imersão. Embora normas como ASTM D3359 (cross-cut e X-cut) ofereçam alternativas mais rápidas e semiquantitativas, o pull-off é preferido para auditorias e qualificações devido à sua natureza quantitativa e robustez. Em rotinas de inspeção industrial, é comum a exigência de 1 teste para cada 250 m² ou por equipamento.
P:Qual a diferença entre holiday detector de baixa e alta voltagem?
O holiday detector é um equipamento usado para identificar descontinuidades (holidays) em revestimentos não condutivos que possam expor o substrato, como poros, pinholes ou falhas de cobertura, prevenindo a corrosão prematura. Existem dois tipos principais, que se diferenciam pela voltagem e aplicação:\n\n**Holiday Detector de Baixa Voltagem (Wet Sponge):**\n\nOpera com tensões típicas de até 90 V DC (comumente 67,5 V DC). Utiliza uma esponja úmida conectada ao aparelho, que é deslizada sobre o revestimento enquanto o substrato está aterrado. Se houver um holiday, a corrente fecha o circuito através da umidade, e o equipamento emite um alarme. É indicado para revestimentos de baixa espessura, geralmente até 500 µm (0,5 mm). As normas de referência incluem ASTM D5162 – Método A e NACE SP0188 – baixa voltagem.\n\n**Holiday Detector de Alta Voltagem (Spark Test / Por Faísca):**\n\nAplica tensões que variam de 1 kV a 30 kV, dependendo da espessura do revestimento. Utiliza um eletrodo (escova, mola, anel) que entra em contato com o filme, enquanto o substrato é aterrado. Se houver um holiday, a alta tensão provoca uma descarga elétrica (faísca), acionando um alarme. É ideal para revestimentos de média a alta espessura, geralmente acima de 500 µm (0,5 mm), como em tanques, dutos e pisos industriais. As normas de referência são ASTM D5162 – Método B, NACE SP0188 – alta voltagem, e ABNT NBR 16172. A voltagem é selecionada com base na espessura do filme, usando fórmulas empíricas (ex: V (kV) ≈ 3.175 × √(EPS em mm)) ou tabelas fornecidas pelos fabricantes, para evitar perfurações ou detecção ineficaz.
Resumo Estratégico
A inspeção de pintura industrial é essencial para a longevidade de ativos, abrangendo a medição de Espessura de Película Seca (EPS) segundo SSPC-PA 2 e ASTM D7091, testes de aderência Pull-Off conforme ASTM D4541, e detecção de descontinuidades com Holiday Detector, em conformidade com NACE SP0188. A qualificação do inspetor, pela ABNT NBR 15218, é mandatório para a validação dos resultados e a integridade dos revestimentos.
Se você gostou deste artigo, você precisa ler:
📚 Referências Normativas e Técnicas
[1] Lei nº 6.496/1977 — Institui a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART)
[2] Resolução CONFEA nº 1.025/2009 — Regulamenta a ART
[3] ABNT NBR ISO 9001:2015 — Sistemas de gestão da qualidade
[4] NR-13 — Caldeiras, Vasos de Pressão, Tubulações e Tanques Metálicos
⚖️ Compromissos Técnicos e Legais
Responsabilidade Técnica (ART): Todos os serviços executados pela Solutec AM são acompanhados de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) emitida por engenheiros registrados no CREA-AM, conforme a Lei nº 6.496/1977 e Resolução CONFEA nº 1.025/2009.
Natureza Informativa: Este artigo tem caráter técnico-consultivo. A aplicação das soluções aqui descritas exige análise individual por engenheiro habilitado, com emissão de ART e projeto executivo adequado às condições específicas de cada obra.
Aléxia Perrone
Engenheira Mecânica
CREA-AM 36950AM · RNP nº 042226912-3
Especialista em construção, montagem e manutenção industrial, com atuação em paradas de manutenção programadas e emergenciais nos segmentos industrial, petroquímico, energético e de infraestrutura. Inspetora de dutos terrestres qualificada e especialista em processos de impermeabilização com geomembranas e geotêxteis. Técnica em Eletrônica Digital e Edificações, possui 9 anos de experiência em gestão da qualidade e de obras, fabricação, soldagem e integridade industrial, com foco em segurança, qualidade e desempenho operacional na região norte.
Rigor técnico na inspeção de pintura industrial, assegurando a conformidade com as normas ABNT, ASTM e NACE.













